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Não erre ao incluir sócio na sua empresa

Desde que li o livro do Prof. Marin chamado Socorro! Tenho um sócio ganhei a certeza que a relação de ter um sócio deveria passar pelas mesmas etapas que acontecem (ou deveriam acontecer) quando se envolve em um casamento.

Já vi muitos casais que se conheceram muito cedo, namoraram durante a adolescência e na juventude e quando se casaram descobriram que essa nova relação não casava tão bem entre eles – de grandes amigos, viraram inimigos eternos.

Com sócios parece que a coisa se repete. Algumas pessoas se dão bem em sala de aula, nas festas da faculdade, até no trabalho. Mas, quando viram sócios, a amizade se converte em uma luta de egos sem precedentes.

O que acontece? Só mesmo lendo o livro, mas adianto aqui algumas coisas que não estão no livro, mas que poderiam evitar até mesmo que você pense em ter um sócio só para compartilhar alegrias e tristezas, saúde e doença (como um casamento)

O problema que pouca gente nota é que tanto o casamento quanto a sociedade têm um objetivo, não é uma simples união de pessoas. E, se o objetivo não estiver claro e muito bem conhecido, a tendência é que tudo dê errado. Não vou discutir sobre casamento, mas no caso da sociedade, o objetivo deve ser o de complementar alguma coisa que o outro faz bem para o sucesso de todos.

Mas, e qual é uma forma de definir se o negócio precisa ou não de um sócio? Basta identificar seus pontos fracos e ameaças e, depois disso, verificar se isso pode ou não ser resolvido com a contratação de um empregado para fazer isso – é por isso que grandes empresas contratam diretores e presidentes, porque os acionistas não são exatamente o que a empresa precisa ou a empresa simplesmente não os quer na diretoria.

Então, o primeiro passo para falar em incorporar um sócio no seu negócio é fazer a análise SWOT da sua empresa.

Essa análise é feita durante nosso passo a passo aqui e não importa se você ainda não fez, você irá fazer mais tarde. Se já fez sua análise SWOT, não significa que você deve sair afobado correndo atrás de um sócio. Isso é algo para se pensar muitas vezes e não vai ser com esse texto que você irá tomar a decisão.

Vamos elencar apenas 2 pontos que interessam para definir porque precisaríamos de um sócio:

Objetivos da empresa

Começar pelo objetivo da empresa não significa buscar o propósito dela, a ideia desse objetivo é o que foi projetado para a empresa atingir em um curto espaço de tempo, imaginado de forma que possa ser medido a cada semana e esses resultados parciais são chamados Resultados-Chave. Essa metodologia é chamada Objective and Key Results (OKR).

Se para atingir esse objetivo na sua empresa, você anotou que sua fraqueza está diretamente relacionada com o risco de não conseguir sucesso por um problema, talvez uma outra pessoa poderia resolver. Então, quais seriam as possibilidades para contornar essa deficiência? Sugerimos 2 maneiras, antes de pensar em um sócio:

  1. Porque não contratar alguém para fazer o serviço? Isso pode ser feito com pagamento por resultado atingido e não por salário
  2. Poderia ser uma empresa terceirizada, mas aí você teria que pagar
  3. Não há como fazer menos e conseguir atingir o mesmo objetivo? Repense seu plano

Fraqueza administrativa, operacional ou de marketing

Você não é um administrador, sua especialidade é a operação da empresa, seja porque sua pesquisa originou um pedido de patente ou registro de software. Então, sua competência em administrar não é suficiente. Talvez fosse o caso de você remediar contratando um administrador, mas se for insistir no sócio pode não ser uma má ideia.

Da mesma forma, se sua empresa não tem quem faça ela funcionar, é bom contratar um gerente, mas saiba que isso é algo vital para sua empresa e, para não arriscar criar um concorrente, o melhor já é incluí-lo como sócio.

Não menos importante, é ter uma pessoa só para cuidar de marketing. Há quem diga até que uma empresa sem um responsável pelo marketing perde muito a chance de ter algum sucesso.

Mas porque são 3 fraquezas? É consenso em muitas aceleradoras de startups que a melhor configuração de uma empresa é a que tem uma pessoa que cuida do funcionamento da empresa em entregar serviços ou produtos aos clientes. Uma outra pessoa cuida somente das questões administrativas. E uma terceira cuida só do marketing.

Eu já conheci uma construtora formada por um operacional (engenheiro) e um administrador, somente. Não havia marketing porque eles contratavam o serviço, mas nunca deixaram de usar a empresa, mesmo quando não havia nada para vender – era uma empresa com cadeira de sócio, mas apenas contratada.

De qualquer forma, se há um livro para se ler sobre ter ou não sócios e como agir, o livro indicado é algo que sempre deve ser lido antes de fazer uma sociedade.