comentário 0

Família e empresa: fechar a empresa ou trocar de família?

É comum que empresários incluam membros da família nos negócios e isso tem o enorme potencial de criar situações difíceis que irão levar a uma escolha: o negócio ou a família. Por isso, antes de ter qualquer intenção de incluir a família nos negócios ou vice-versa, alguns fatores devem ser pensados com muita dedicação. Esses problemas tendem a se agravar nos momentos de dificuldades da empresa ou quando a empresa pretende crescer. Ao final, se há crise na empresa, o empresário terá que optar entre trocar de família, fechar o negócio ou engajar a família.

Quando a empresa entra em crise ou pretende crescer, o empresário pode ter a necessidade de ter o apoio da família ou ela pode se oferecer para ajudar. Esse apoio pode ser a de diminuir os gastos familiares, ter paciência com a ausência do empresário em casa e dar o apoio moral para o esforço do empresário. Mas, poderá surgir a situação em que a família pressiona o empresário a dar resultados concretos, com aumento das retiradas para os gastos familiares – isso aumenta a pressão que já existe sobre o empresário e causa transtornos que afetam seu desempenho nos negócios.

Outra situação é aquela em que a família entra no negócio para ajudar – aí alguém ou vários entram na empresa com essa intenção, mas podem assumir a atitude de que o empresário não foi competente e engajado o suficiente. Esse tipo de engajamento da família ou de apenas um membro da família deve ter uma recíproca compatível da parte do empresário: tempo definido ou sociedade. O tempo definido é para que a ajuda tenha um fim, ou seja, ao final de um prazo o empresário deve retirar o parente para que não se perpetue a relação que tende a se desgastar com o tempo.

Na sociedade, seria admissível o cônjuge apenas, já que esse já faz parte da empresa por direito derivado do casamento; os demais parentes irão causar problemas vistos adiante.

No caso do cônjuge, se não houver harmonia no casal, a probabilidade de crise entre negócio e família, ou em uma delas, é total. Então, o empresário deverá, em algum momento, optar entre retirar a família da sua vida (divórcio) ou fechar a empresa literalmente.

No caso de filhos, o problema é grave: se os filhos nunca trabalharam, irão cometer os piores erros e comportamentos na sua empresa, e não será percebido como o patrão, mas como o pai e a relação será difícil. O melhor é fazer como muitos empresários fazem, empregue-o nos seus concorrentes para que aprenda sobre o ramo de atividade e amadureça como profissional. Só os contrate quando estiverem maduros.

Em um caso recente, o empresário optou pela família, após uma tentativa de engajá-los no negócio, entregou a empresa pelo valor dos estoques para os seus empregados e abriu uma nova firma com o filho – pelo que me consta, estão todos felizes. Em outro caso, o empresário divorciou-se e não foi feliz, acabou em um novo relacionamento infeliz. Em uma situação interessante, o empresário retirou a esposa da sociedade e ela entendeu que aquilo era um sinal de intenção de divórcio e agiu nessa linha – o relacionamento acabou. Enfim, se é para incluir alguém no negócio, que seja no máximo o cônjuge se este estiver realmente engajado com a finalidade de consolidar a família, ou os filhos, se estes já estiverem maduros o suficiente para assumir os negócios.